Tesouro dos EUA muda humor dos ativos brasileiros
Depois de 11 pregões seguidos de perdas, a bolsa brasileira teve fôlego nesta quarta-feira (19). O gatilho veio de fora: o Tesouro dos Estados Unidos anunciou que vai dobrar o limite das recompras de títulos de longo prazo, para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, a partir de setembro. A medida busca dar mais liquidez a um trecho do mercado de títulos que vinha sob forte pressão. O efeito foi imediato: os juros dos Treasuries recuaram, e o movimento atravessou fronteiras, contaminando também a curva de juros brasileira, que fechou em queda de mais de 10 pontos-base nos vértices intermediários. O ouro também sentiu o alívio. Com a perspectiva de juros americanos mais baixos, o metal saltou 3% nesta quarta e chegou a US$ 4,5 mil, o maior nível em dois meses e meio. A alta reverte parte da pressão que o rali dourado vinha sofrendo desde o início da guerra no Oriente Médio, puxada pela dupla petróleo e juros altos nos EUA. A decisão chega no mesmo dia em que o Tesouro americano informou que a dívida pública total do país ultrapassou pela primeira vez US$ 40 trilhões, mais que o dobro do que era há uma década. O contraste resume o dilema americano: rolar uma dívida recorde sem travar o mercado de crédito.
O alívio do mercado brasileiro nesta quarta não veio de fatores domésticos, e sim de uma decisão técnica do Tesouro americano, o que deixa o ganho vulnerável a mudança de humor lá fora.
Fonte: Valor Investe
Dois lados da xícara ▲ Ganha A bolsa brasileira, que rompeu a sequência de 11 pregões seguidos de perdas com o alívio vindo dos EUA. | ▼ Perde Quem apostava no fim do rali do ouro, já que o metal voltou a subir 3% com a folga nos juros americanos. |
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